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BNEGÃO MERGULHA NAS ÁGUAS DE DORIVAL CAYMMI EM SHOW NO FESTIVAL DE ARTE NEGRA DE BH – FAN-BH

08/11/2019

A inusitada incursão de BNegão – que despontou a bordo do Planet Hemp e se firmou como um dos principais nomes do rap nacional – pela obra de Dorival Caymmi é outra atração imperdível na programação do Festival de Arte Negra de BH – FAN-BH. O show “BNegão Canta Dorival Caymmi” estreou em abril do ano passado, mas sua origem remonta à adolescência do músico. Quando tinha 16 anos, Bernardo Soares – nome de batismo de BNegão – ouviu o disco “Caymmi e seu Violão” (1959) e ficou irremediavelmente impactado.

O segundo título da carreira do cantor e compositor baiano é focado nas canções praieiras, mas, como bem observa BNegão, ele não tem nada de solar. O músico carioca diz que chamou sua atenção na obra de Caymmi o tom sombrio, denso e misterioso de canções como “O Mar”, “A Lenda do Abaeté”, “É Doce Morrer no Mar”, “Noite de Temporal”, “O Vento” e “Promessa de Pescador”. Em várias entrevistas que já concedeu, BNegão alude àquelas canções inaugurais da trajetória do baiano como um “lance meio Black Sabbath”.

Acompanhado apenas pelo violão de seu xará Bernardo Bosisio (que já tocou ao lado de nomes como Paulo Moura, Arthur Verocai, Márcio Montarroyos, Ed Motta e Virgínia Rodrigues, entre outros), ele tem circulado com esse show em que, pela primeira vez, mergulha exclusivamente no universo das canções. Mas houve um tempo considerável de maturação antes que “BNegão Canta Dorival Caymmi” pudesse ganhar a estrada. O músico diz que há oito anos pretendia levar ao cabo essa empreitada, mas sempre relutava diante da responsabilidade que é revisitar um clássico da MPB.

BNegão considera Caymmi “uma entidade, um avatar, a música em forma de gente”. É com esse grau de admiração e respeito que BNegão emprega sua voz – grave como a de Caymmi era – às canções, em formato minimalista. A apresentação em Belo Horizonte, dentro da programação do Festival de Arte Negra de BH – FAN-BH, será no último dia do evento, domingo, 24 de novembro, às 19h, no Teatro Francisco Nunes. A entrada é gratuita. Os ingressos podem ser retirados na bilheteria do teatro 2 horas antes do início da apresentação.