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CELEBRAÇÃO DO ENCONTRO DAS CULTURAS AFRO E INDÍGENA NO FAN

08/11/2019

Uma ação de destaque dentro da programação do Festival de Arte Negra de BH – FAN-BH 2019 é o seminário “As Cidades e o Sagrado dos Povos Tradicionais: territórios, identidades e práticas culturais“, que vai abordar, nos dias 21 e 22 de novembro, no Centro Cultural da UFMG, a dificuldade de acesso das comunidades tradicionais indígenas e de terreiro às plantas utilizadas em suas práticas ancestrais. O encerramento do seminário – que faz parte do projeto “Jardins do Sagrado, Cultivando Insabas que Curam”, que integra a Política de Patrimônio Cultural do Município – será no dia 23, com o encontro Pisada de Caboclo, no Centro Cultural Lagoa do Nado.

Manifestação cultural organizada pela Reunião Umbandista Mineira/RUM, que congrega cerca de 30 terreiros da cidade, a Pisada de Caboclo fortalece a confluência cultural e espiritual entre os povos de matriz africana e indígena. Pai Ricardo de Moura, que coordena a Associação de Resistência Cultural Afro-brasileira Casa de Caridade Pai Jacob do Oriente (CCPJO), explica que a Pisada de Caboclo é um reencontro histórico do povo afro com o povo indígena. “A Pisada revigora o encontro inicial, quando os negros chegaram aqui escravizados e encontraram os povos indígenas que estavam sendo dizimados”, diz.

Trata-se, conforme ele aponta, de uma celebração desse encontro, tanto na esfera material quanto na espiritual. “Há dois anos esse encontro acontece, esta será a terceira edição. A gente reúne várias casas de terreiro de umbanda e várias tribos para fazer uma confluência dessas duas culturas. Lógico, tem influências ocidentais, mas é muito forte na construção da espinha dorsal da cultura brasileira a soma dos saberes dessas duas culturas”, destaca.

Nas edições anteriores da Pisada de Caboclo, ambas realizadas no Centro Cultural Lagoa do Nado, estiveram presentes as casas de umbanda integrantes da RUM e povos das tribos pataxós, maxakalis e xakriabás, entre outras. “A gente canta, dança, trata a questão das ervas e das frutas sagradas, das bebidas, tem incorporações, eventualmente há passes. Vão ter os atabaques, as maracas, os instrumentos típicos de cada cultura. E a gente quer promover uma feira com as artes, que são verdadeiras joias, coisas feitas com as próprias mãos”, salienta Pai Ricardo de Moura.

Sobre o espaço que abriga a Pisada de Caboclo, ele diz que o Parque Lagoa do Nado já tem uma vocação natural para esse tipo de manifestação. “A questão ancestralidade ali já é bem viva, pela presença das águas, da mata. Já promovemos no Lagoa do Nado exposição dos quilombos e exposição de congado. São várias coisas que a gente tem feito lá. O objetivo é cultuar, valorizar e preservar as culturas afro e indígena. Essa confluência é entendida pela ótica afro-brasileira e é sempre realizada em novembro”, diz.

A Pisada de Caboclo acontece no dia 23 de novembro, no Parque Lagoa do Nado – Centro de Referência da Cultura Popular e Tradicional (rua Hermenegildo de Barros, 904, Itapoã), de 9h30 às 13h, com entrada gratuita e participação livre.