Seminário As Cidades e o Sagrado dos Povos Tradicionais: território, identidades e práticas culturais

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Assim como nas demais áreas urbanas do país nas quais os espaços verdes são cada vez mais escassos, em Belo Horizonte são poucas, senão raras, as possibilidades de acesso às plantas utilizadas nas práticas culturais de terreiro. A escassez de ervas compromete a realização de determinados ritos e, consequentemente, tende a interferir na existência de aspectos fundamentais destas práticas culturais. Neste cenário, a transmissão de saberes é prejudicada em função de fatores externos que dificultam o acesso a elementos essenciais para a manutenção da vitalidade da tradição. Com a materialidade comprometida, coloca-se em risco a perpetuação dos conteúdos simbólicos vinculados a estas práticas culturais. No que se refere às práticas indígenas, de acordo com o censo de 2010, estima-se que vivam e transitem pela região Metropolitana de Belo Horizonte entre 5 mil e 7 mil indígenas, sendo que destes aproximadamente 3 mil na cidade de Belo Horizonte. O modo de vida indígena relaciona-se umbilicalmente com a natureza, figurando como um sistema de cura que o sustenta. Questões basilares da prática de vida indígena têm no meio urbano sua efetivação comprometida, já que na cidade a relação com a natureza se dá com o estabelecimento de regramentos sociais e institucionais que, geralmente, foram construídos apartados das particularidades desse modo de vida.

A natureza, suas terras, suas plantas, seus rios, seus animais, constituem entidades sagradas para os indígenas. Como praticar, portanto, este sagrado em meio urbano?

A realização do seminário As Cidades e o Sagrado dos Povos Tradicionais: território, identidades e práticas culturais integra o projeto Jardins do Sagrado, cultivando insabas que curam, abordando, inicialmente, a discussão sobre a dificuldade das comunidades tradicionais indígenas e de terreiro no acesso às plantas utilizadas em suas práticas culturais, tomando como base para esta discussão, a abordagem etnobotânica. Com o andamento do projeto e o diálogo estreito entre as equipes técnicas da Secretaria Municipal de Cultura, Fundação Municipal de Cultura e Fundação de Parques Municipais e Zoobotânica e membros das comunidades tradicionais, evidenciou-se que o Seminário seria um momento oportuno e necessário para discutir não somente a abordagem etnobotânica, que entrelaça plantas e práticas culturais, mas também as questões relativas à dinâmica, às disputas e às identidades associadas à prática e vivência dos saberes tradicionais no meio urbano.

Colocam-se também como objetos de discussão do Seminário: como estabelecer mecanismos e instrumentos que salvaguardem as práticas culturais indígenas e de terreiro no meio urbano? Como promover o diálogo necessário entre os diversos grupos sociais que dão aos territórios sentidos e apropriações diversas? Como promover a confluência de saberes capazes de produzir novos conhecimentos e novas formas de conviver e compartilhar as áreas verdes da cidade? Com isso destaca-se não só a importância em si desses saberes, mas também a sua condição de memória a ser referenciada e incentivada como parte integrante da memória e da história de nossa população.